
Agora eram só ruínas. Um amontoado de pedras cobertas de visgo e mato pouco nobre. Na frente, um lago de água turva e sem os peixes imperiais de outrora. Acho que nada mais vivia naquele lago. As bromélias resistiam como podem, e nem me atrevo a explicar sua bravura. O bambuzal se espalhava pelo terreno, deixando o chão coberto de suas folhas finas. Vinham de todas as partes visitar meu castelo. E posavam para fotografias, falavam alto e riam em tantas línguas que eu desconheço. Meu castelo agora era um museu a céu aberto, com turistas maravilhados pelas ruínas de um passado que nem lhes é tão distante. Não havia mais aquele castelo imponente onde passei uma infância esculpida à pedra, assombrada por toda uma linhagem real pregressa. Meu castelo não era mais nobre. Talvez nunca tenha sido.
Texto: próprio
Foto: SXC [+]
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